E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidon. E eis que uma mulher cananeia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando a ele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós e ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo. (Mateus 15:21-28)
Já trilhei muitos caminhos, já vi cenários culturais impressionantes, já experimentei vários tipos de comidas em países diferentes, já falei em outras línguas.
Já vivi dias de tormenta, me escondi em cavernas ocultas da alma, mergulhei em mares de lagrimas. Já quase perdi as forças, muitas vezes em perigos externos, outras em perigos internos que precisavam ser vencidos, superados e muitas vezes, reconstruídos.
Já me desapontei com aqueles que compartilhavam comigo o pão, já me senti rejeitada, sem esperança, muitas vezes. Nessa luta entre a carne e o espirito, muitas vezes me desesperei por perceber que na minha humanidade, não poderia prosseguir.
Já me cansei dos outros, de mim, da própria vida e aprendi que a realidade de um mundo natural onde muitas vezes buscamos saídas, respostas, pessoas ou momentos que podem nos proporcionar alívios imediatos, nos tornamos como aqueles que gostam dos malabarismos dos palcos e aplausos da plateia, onde os holofotes estão sobre eles e tudo termina em risos e aplausos, mesmo que não suportemos mais nossas próprias mascaras. Aprendi que usamos nossa força, nossa habilidade, nosso conhecimento para demonstrar que estamos superando, mas não conseguimos perceber que aquilo que parece simples, ‘e o que vai causar um impacto termostático na nossa expectativa natural e fundamentar nossa fé.
Mas o que precisamos de fato para contemplar uma beleza que o mundo não consegue revelar?
Neste cenário da vida, surge uma outra pergunta:
Migalhas da graça. Você consegue vê-las?

A bíblia conta a história que existiu uma mulher que estava sem esperança e clamava constantemente por um milagre: uma mulher que não era israelita, mas ousou se aproximar de Deus na pessoa de Cristo. Ela teve noticias de que Jesus estava ali e ela precisava de um milagre para que sua filha fosse curada. Ela era grega e de origem siro fenícia no norte da Galileia. Um local onde predominava adorações idolatras. Ela conhecia os costumes judaicos e sabia que por ser mulher e estrangeira, não tinha condições de se aproximar de um rabino, judeu. Sua filha estava possessa por espíritos malignos. Era uma mulher impura. Mas nada a impediu de ir até Jesus.
Os discípulos estavam com Jesus em um local onde pensavam em descansar, mas aquela mulher clamava constantemente por ajuda e com ousadia, não desistiu, insistindo com clamores.
Qual foi a resposta de Jesus para aquela mulher?
Qual é a resposta de Jesus pra nós?
Ela esta agora diante dele.
Ele diz: ‘Não é bom tirar o pão dos filhos e lançá-los aos cachorrinhos.’
Parece uma resposta dura, desencorajadora?
Sim, mas
Jesus estava usando aqui uma parábola. Ele queria provocar algo no coração dela. Ele sabia que ela era mãe e tinha uma filha que dependia dela em casa.
Como ela reagiu diante disso?
Como reagiríamos?
Ela diz: ‘Sim, Senhor! Mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas que caem da mesa.’ Que resposta incrível!! Ela mostrou a Jesus que desejava intensamente aquelas migalhas pois ela sabia de onde elas viam. Elas vinham da mesa do próprio Cristo.
Mesmo sabendo que não pertencia aquela nação, ela tinha uma fé imensa em saber que Jesus podia alimentar o mundo inteiro e mesmo as migalhas a sustentariam pois vinham dele, do próprio Cristo. Ela não se colocou em nenhum ponto de merecimento, mas desejou aquilo que Jesus tinha em base na sua própria bondade, pois ela sabia quem ele era e isso bastava.
Imediatamente sua filha foi curada. Ela tinha certeza que Jesus poderia libertar sua filha.
Uma mulher, que não era digna aos olhos da sociedade da época, uma mulher que sua filha estava possessa por espíritos malignos, uma mulher que não era ouvida, uma mulher, apenas uma mulher, mas Jesus entrou na sua história e ela o reconheceu com tamanha humildade e honra que sua vida nunca mais foi a mesma.
As migalhas da graça. Você consegue vê-las?
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Ivana é formada em Teologia pelo Seminário MTC Brasil e Letras Português Inglês pela UNIFRAN, missionária, professora de inglês e mãe de Anna Keren e Lucas Benjamin.

